Libertarianismo e Espiritismo

Conforme solicitado pelo leitor Frederico Augusto, segue abaixo esta pequena postagem sobre Libertarianismo e suas relações com Espiritismo.

Direto da fonte Instituo Ludwig von Mises Brasil:
"Nos séculos XVIII e XIX, o termo liberalismo geralmente se referia a uma filosofia de vida pública que afirmava o seguinte princípio: sociedades e todas as suas partes não necessitam de um controle central administrador porque as sociedades normalmente se administram através da interação voluntária de seus membros para seus benefícios mútuos. Hoje não podemos chamar de liberalismo essa filosofia porque esse termo foi apropriado por democratas totalitários. Em uma tentativa de recuperar essa filosofia ainda em nosso tempo, damos a ela um novo nome: liberalismo clássico.

Liberalismo clássico significa uma sociedade na qual meu sonho é uma realidade. Não precisamos saber o nome do presidente. O resultado das eleições é altamente irrelevante porque a sociedade é regida por leis e não por homens. Não tememos o governo porque ele não nos tira nada, não nos dá nada, e nos deixa em paz para moldarmos nossas vidas, comunidades e futuros.

Essa visão do governo e da vida pública foi destruída em nosso século e em quase todos os países do mundo." (Lew Rockwell)


Da Wikipedia:

"O libertarismo, algumas vezes traduzido do inglês como libertarianismo é a filosofia política que tem como fundamento a defesa da liberdade individual, da não-agressão, da propriedade privada e da supremacia do indivíduo. Suas raízes remontam ao taoísmo na China antiga, ao pensamento Aristotélico grego e ao renascimento e iluminismo que foram responsáveis por moldar o liberalismo clássico. Em diversas partes do mundo, o termo se confunde com a definição de liberalismo, embora libertarianismo tenha ganhado força a partir da expansão do movimento libertário nos Estados Unidos, visto que naquele país o adjetivo "liberal" se refere a alguém que defende em certa medida a intervenção do governo na economia. No libertarianismo, preconiza-se a liberdade em todos os aspectos."

E, por fim, Rothbard:
"Apenas o indivíduo possui uma mente; apenas o indivíduo pode sentir, ver, realizar e entender; apenas o indivíduo pode adotar valores e fazer escolhas; apenas o indivíduo pode agir.  Este princípio primordial do "individualismo metodológico", central ao pensamento social de Max Weber, deve fundamentar tanto a praxeologia quanto todas as outras ciências da ação humana.  Ele implica que conceitos coletivos como grupos, nações e estados não agem ou não existem realmente; eles são apenas construções metafóricas utilizadas para descrever as ações similares ou conjuntas de indivíduos.  Em suma, não existem "governos" por si sós; existem apenas indivíduos agindo harmoniosamente de uma maneira "governamental"."

Vê-se, então que, no Libertarianismo, o indivíduo é levado ao patamar maior, aplicando a análise do homem e da sociedade o individualismo metodológico, isto é, aplicando o individualismo à análise de todos os fenômenos relativos ao ser humano.

Diria que é um grande passo. A D.E ou Espiritismo também é individualista. Kardec reitera várias vezes a responsabilidade individual sobre todo o resto, inclusive sobre o meio em que se vive. E chega a ser triste ver vários espíritas relativizando tal responsabilidade individual por seus atos.

De forma geral, pode-se resumir os ensinos dos Espíritos sobre este tema na seguinte frase:

"O Homem é construtor do Seu próprio futuro."
E já se tornou célebre, por causa do filme, uma frase do Chico Xavier:
"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."
Tais frases mostram claramente o teor individualista das análises espíritas sobre a vida, o ser e a sociedade.

Entretanto, as similaridades entre Libertarianismo e Espiritismo param por aí. Enquanto um é uma filosofia política, o outro é Ciência + Filosofia + Religião.

O Libertarianismo fala em "Direito Natual", que logicamente leva aos seus princípios basilares, os mesmos do Liberalismo Clássico: Propriedade, Liberdade e Paz.

A D.E. extrapola tais conceitos e fala em uma só lei "Lei Divina ou Lei Natural", a qual pode estudada através de duas vertentes: as Leis Materiais e as Leis Morais. As Leis Materiais são da alçada da ciência e as Leis Morais da religião. Daí dizer-se que o Espiritismo é, ao mesmo tempo, ciência, filosofia e religião.

O Espiritismo, descortinando a Vida Espiritual, extrapola o conceito da Lei Natural para além dos fenômenos passageiros de uma vida terrena. Isto dá um novo enfoque à vida do homem e das sociedades que forma.

A Lei Divina, sob o aspecto moral, pode ser resumida e percebida através do enfoque de Moisés. Kardec, então, didaticamente a dividiu em 10: a Lei de Adoração (que fala da relação do homem com Deus), do Trabalho (que impõe um limite ao mesmo), de Reprodução (que trata das questões da reprodução humana), de Conservação (que trata dos aspectos da manutenção do homem na Terra), de Destruição (que trata das relações do ser e o seu meio), de Sociedade (que trata das relações da criatura com os outros homens), do Progresso (que trata da lei de evolução material e moral), de Igualdade (que trata das questões de igualdade e desigualdade entre os homens), de Liberdade (a lei do livre-arbítrio e da responsabilidade sobre seus atos) e, por fim, a de Justiça, Amor
e Caridade (a qual discorre sobre a propriedade e a necessidade da Caridade e do Amor).

Tais valores morais são pressentidos por todo aquele que estuda o Libertarianismo. Apesar dele não falar nada sobre valores morais, boa parte dos libertários atuais são Cristãos ou, no mínimo, grandes defensores da ética.

Resumindo, o Libertarianismo é um passo na direção correta, mas creio que a proposta Espírita é mais ampla e vai além em suas propostas. É claro que uma sociedade regida por princípios Libertários já seria muito boa, mas uma regida por princípios espirituais:

"A civilização, como todas as coisas, apresenta gradações diversas. Uma civilização incompleta é um estado transitório, que gera males especiais, desconhecidos do homem no estado primitivo. Nem por isso, entretanto, constitui menos um progresso natural, necessário, que traz consigo o remédio para o mal que causa. À medida que a civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou, males que desaparecerão todos com o
progresso moral.

De duas nações que tenham chegado ao ápice da escala social, somente pode considerar-se a mais civilizada, na legítima acepção do termo, aquela onde exista menos egoísmo, menos cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais; onde a inteligência se puder desenvolver com maior liberdade; onde haja mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de nascimento, por isso que tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo; onde as leis nenhum privilégio consagrem e sejam as mesmas, assim para o último, como para o primeiro; onde com menos parcialidade se exerça a justiça; onde o fraco encontre sempre amparo contra o forte; onde a vida do homem, suas crenças e opiniões sejam melhormente respeitadas; onde exista menor número de desgraçados; enfim, onde todo homem de boa vontade esteja certo de lhe não faltar o necessário." (Allan Kardec, nota da questão 793 de O Livro dos Espíritos)

Comentários

Marcos Matheus de Salles disse…
Adorei a postagem. Muito coerente.

Parabéns!
Unknown disse…
Excelente!! Adorei a abordagem
André Ricardo disse…
Sensacional seu texto cara. Eu como libertário e espiritualista ate me emocionei.
Andre Cavalcante disse…
Obrigado a todos pelas palavras.
Esta postagem é o resultado de um pedido e também é uma complementação para a postagem sobre o Socialismo: Pode haver espíritas comunistas?
Wendel da Rocha disse…
Gostaria da sua autorização para indicar este artigo no meu Blog. Seria possível?
Juliana Gomes disse…
Muito bom! Parabéns!

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Frase: "O mundo espiritual é formado de antimatéria".